Sucessão no Partido dos Trabalhadores baiano pode decidir quem disputará o governo em 2014

Reprodução/PT
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Retalhado como nenhum outro partido, o PT escolhe em novembro o novo presidente estadual, função ocupada hoje por Jonas Paulo. Porém, a discussão interna sobre a direção estadual caminha como uma prévia da batalha envolvendo a decisão sobre a sucessão de Jaques Wagner no governo do estado. Dentro do partido, dois caciques, Walter Pinheiro e José Sérgio Gabrielli, fazem a queda de braço. Em jogo está a indicação para candidatura a governador, que tem ainda Rui Costa, de uma tendência regionalizada, tentando se articular. Os próprios integrantes do Partido dos Trabalhadores classificam a legenda como uma colcha de retalhos. A sigla escolheu uma estratégia de criar tendências internas repleta de idiossincrasias e com reflexos nas instâncias nacional e regional, ao invés de formar novos partidos – não que a situação seja impossível de acontecer. Porém, essas divisões servem para antecipar disputas por poder fora do partido, como prévias da expectativa nas urnas. Assim, obter uma vitória na direção estadual vira um passo importante para a indicação na chapa majoritária de 2014. Do lado de Gabrielli, da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), nomes começam a aparecer, como o deputado estadual Rosemberg Pinto e o ex-deputado federal Emiliano José. Jonas Paulo, que detém a batuta da sigla na Bahia atualmente, é da mesma corrente.

Ainda dentro da esfera de influência da CNB figuram Nelson Pelegrino – que na Bahia é da Esquerda Democrática e Popular – e ainda o atual secretário geral do PT, Everaldo Anunciação. Este último, apesar de filiado à CNB e articular fortemente nos bastidores, enfrenta dificuldades dentro do próprio agrupamento e, de acordo com fontes da reportagem, “não consegue sair como candidato de consenso dentro da própria tendência”. Destes, Emiliano José pode ser alçado à condição de secretário nacional de comunicação do PT e ficar fora do páreo. O senador Walter Pinheiro, da Democracia Socialista (DS), é outro que tenta se viabilizar para a candidatura em 2014. Mesmo não apresentando nenhum nome ainda como postulante à direção estadual do PT, a DS busca encontrar um filiado para concorrer contra o indicado pelo grupo majoritário, que apoia Gabrielli.

Outro que ainda não possui um nome no páreo e é pré-candidato à sucessão de Wagner é Rui Costa, porém, assim como Pinheiro, procura alguém ligado à tendência regional Reencantar. Ainda correm por fora o ex-presidente do PT na Bahia, Marcelino Galo, que tenta retornar à função, e o deputado federal Luiz Alberto, de tendências locais e sem representação nacional, o primeiro do Movimento PT na Bahia e o segundo do Coletivo 2 de Julho. Mesmo com seis nomes postos, o caminho natural é que apenas dois resistam até a eleição. Até novembro, a queda de braços vai ser mais que intensa.

Fernando Duarte da Tribuna da Bahia

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